Jornal Página 3
Coluna
Crônica Semanal
Por João José Leal

Copa do Mundo e o País do Futebol

É chavão que se repete. Somos o país do futebol este esporte que não sai da cabeça dos brasileiros. De segunda a domingo, não faltam jogos pelo país a fora. Afinal, tem série A, da elite que paga milhões aos técnicos e aos ídolos pés de ouro que aqui permanecem. Não, por patriotismo. Ninguém é mais de ferro. Já passou o tempo de craques de majestosos dribles, dos Garrinchas brasileiros que suavam para ostentar a camisa do clube e da seleção. No final da vida, morriam pobres, esquecidos nas arquibancadas da vida ou nos botecos tomando uma cachaça.

Agora, todos aqui jogam de olho numa sedutora EUROproposta, daquelas de fazer cruzar fronteiras sem pensar na pátria amada, na família, nos amigos. Muito menos, na camisa do clube que lhe garantiu a oportunidade de mostrar o talento na arte de dominar a esfera de couro, que faz balançar as redes e explodir corações. Diante do contrato cifrado em milhões, não há jogador que pense na fiel torcida que enche arquibancadas, que aplaude e xinga, que sofre e vibra, que silencia e quebra, que bate e apanha. E, porque fanatismo coletivo contagia e não tem controle, às vezes, chega ao desvario de matar por seu ídolo do clube do coração.

Quando passa o sedutor cavalo dourado, encilhado, com cestos cheios de moeda, nossos melhores jogadores esquecem pátria, família, torcida, cruzam os mares e se mandam para o Velho Mundo. São treinados, condicionados para jogar futebol, é verdade. Mas, ganhar dinheiro, fortunas das arábias como os seus companheiros que já bateram asas para jogar nos grandes clubes europeus, não é pecado. Vida de milionário, no outro lado do Atlântico, em meio à glória e à fama, longe das favelas e periferias de um país rico e desigual como o Brasil, só franciscano de batina medieval rejeitaria.

Tem também o futebol de pobre, sem direito à tela da Globo, aquele das séries B, C e D, sem torcida organizada, sem cartolas e de pouca gente no estádio. É o futebol dos clubes pequenos que lutam para subir e pagam baixos salários. Ali, estão os atletas que jogam sonhando com salários milionários, com muito dinheiro no bolso. Mas, numa sociedade de alta competição, muitos são os candidatos e muito poucos os escolhidos, para serem pagos a peso de ouro serem idolatrados em palcos iluminados, em quadras de sintético e em gramados verdejantes, sob o olhar fanático de milhões de torcedores, sofredores que se matam por seus ídolos de pés de ouro.

Sim, somos, por excelência, o país do futebol, do melhor futebol do mundo, tão excelente que temos seleções de ouro jogando na Europa. Nem porisso, ganhamos o campeonato mundial para trazer a cobiçada taça. Não sei se foi triste. Mas, a verdade é que, para os brasileiros, a Copa da Rússia terminou mais cedo.

Escrito por João José Leal, 11/07/2018 às 19h09 | jjoseleal@gmail.com



João José Leal

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Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


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