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Coluna
Lu Altmann
Por Lu Altmann

Transbordar

O show Cellophane é um convite à transbordar através das músicas do grupo Mimo, que reúne os cantores e compositores Bruno Kohl, Giana Cervi e Vê Domingos, no teatro municipal de Itajaí, nesta sexta (11), às 20h30. A música de divulgação do show Transbordar é aquela música boa de ouvir, cheia de poesia “pra desenhar silêncios em volta de ti” e “fonte para desaguar, tudo que pensa ao navegar em mares de nanquim".  O pop-cult do MIMO entra em 2018 com show novo, novas canções e a vontade de ampliar o seu alcance fazendo tudo do mesmo jeito. Um espetáculo minimalista com foco em canções autorais. Simples e verdadeiro.

Correeee mulherada


Exclusiva para o público feminino, a Corre Brasil, empresa com 10 anos de trajetória, que é referência em organização e realização de corridas de rua em Santa Catarina promove, no dia 24 de junho, o Circuito Brisas Moleca. Com percursos de 5 a 10 Km, a largada acontece às 8h, com saída do Habbitat Praia Brava, na Av. José Medeiros Viêira, nº 800-898. Informações e inscrições pelo site Corre Brasil - Itajaí

O crack e a rua Corupá


O terreno da rua Corupá antes da cerca


Diariamente passo pela rua Corupá. De segunda a sexta, é o caminho que faço para deixar a minha sobrinha na Univali. Toda manhã, por volta das 7h30, naquele trajeto era uma tristeza. Várias pessoas, usuárias de crack vagando pela rua, um cenário de cortar o coração. A cena acontecia todo dia e todo dia uma tristeza invadia o meu coração. Ver a miséria humana, uma pessoa igualzinha a mim, devastada pelo uso das drogas, é de arrasar ou, no mínimo, fazer a gente refletir. Todo dia a mesma pergunta martelava na cabeça: o que eu posso fazer? Pensei várias vezes em fazer uma matéria, mostrando a situação, mas sempre me pareceu pouco. Pensava: passa tanta gente aqui todo dia, na mesma hora que eu e durante todas as horas do dia. Será que as pessoas se comovem também de ver tanta gente sofrendo e (sobre) vivendo desse jeito? Enfim, há uns 15 dias colocaram uma cerca no terreno baldio que era o ponto de encontro e de concentração deles. A rua mudou, tá limpa, porque no entorno do terreno e no próprio terreno se acumulava muita sujeira, lixo de todo tipo; de roupas, sapatos, móveis e restos de comida e bebida. Obviamente, que não resolveu a situação dessas pessoas. Elas somente devem ter migrado para outro ponto onde podem se concentrar.

O X da questão


Ou seja, nunca se foca na questão, na raiz de tudo: as pessoas, os usuários, a doença, o vício. Fecha-se o local, o que é a consequência! E foi bom, pelo menos visualmente e do ponto de segurança. Dá também um alívio, porque o fato da gente não ver o problema, dá a impressão de que ele não existe, foi resolvido, quando na verdade foi só varrido para baixo do tapete. No meu caso, eu não sinto mais a tristeza em ver tantas pessoas vivendo em sofrimento mental, espiritual e físico, mas todo dia quando passo ali, lembro que o problema existe e não consigo varrer para baixo do tapete. Então, a pergunta continua martelando na minha cabeça: o que eu posso fazer para aliviar o mal estar dessas pessoas e o meu, causado pela dor de ver/saber que isso está acontecendo? Será possível saber e ver essa realidade diariamente e não sentir nada? Achar que tá tudo bem, faz parte da realidade do mundo? Não sei, sei que me incomoda :/

Escrito por Lu Altmann, 10/05/2018 às 11h06 | lualtmann@gmail.com



Lu Altmann

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Curiosa por natureza, taurina com ascendente em touro, Lua em Aquário. Pés na Terra, cabeça no céu. Dessa mistura saiu uma jornalista/cozinheira, praticante de yoga e estudante de Vedanta. Parece brisa, mas é tornado. Observadora da vida e do que acontece nesse mundão. Aqui vai ter de tudo: reflexões, dicas de bem-estar, comidinhas, lugares, estilo de vida, moda, comportamento, tendências, inovação, estações, enfim, um olhar sobre a vida e o cotidiano.


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