Jornal Página 3
Coluna
Marisa Fernandes
Por Marisa Zanoni Fernandes

MARCAS DE QUEM TRAZ NA PELE O PAPEL DE SER MULHER

O nascimento de uma menina é marcado não apenas pelo padrão biológico (sexo), mas profundamente pela cultura em que ela está inserida e pela construção social dos papeis de homem e de mulher (gênero).

Este papel social começa a ser delineado ainda na barriga da mãe: para menina escolhemos o enxoval nas cores suaves e, preferencialmente, rosa como “cor de menina”. Os brinquedos ligados as tarefas da casa, as bonecas, as brincadeiras, os modos de sentar, entre outros, vão sendo caracterizados como o que é de meninos e o que é de meninas. Estas práticas, embora pareçam sutis, em boa parte das vezes, são reprodutoras de relações sociais desiguais de poder. Às mulheres vinculamos a ideia de “fragilidade” física, de seres dóceis e indefesos e que ocupam o lugar do cuidar e servir. Aos homens associamos a “força” física, a inteligência, a capacidade de liderar, comandar (patriarcado) e de ocupar espaços de poder.   A consequência desta construção social – espraiada nos lares, nos meios de comunicação, nas escolas, nas esferas do trabalho - tem gerado estereótipos, preconceito e violência.

A estereotipia nas relações sociais, segundo estudos da área (Santos, 1990), promove angústia e dor, afetando seriamente a saúde das mulheres.  Logo, ao falarmos do 8 de março, é preciso refletir sobre a trajetória das relações entre meninos e meninas, entre homens e mulheres para avançar na a construção de novos papeis que produzam rupturas e modifiquem essa realidade social, pois ela é empobrecedora das relações e das potencialidades humanas.

É preciso reconhecer que as marcas que todas nós mulheres trazemos na pele e na alma, particularmente as mulheres negras, as pobres, as transexuais, as indígenas, as mulheres dos rios e dos campos, inferiorizam e sufocam a nossa capacidade de contribuir na construção de um mundo sustentável e de relações de irmandade.

No entanto, na dura lida, aprendemos com exemplos de grandes mulheres, a resistir e persistir. A chorar, mas imediatamente secar as lágrimas e seguir. Aprendemos a reivindicar, protestar, levantar a bandeira do feminismo em todos os lugares do mundo. Aprendemos a lutar pela liberdade do nosso corpo e pela Democracia. Irreverentes, batendo latas, tambores, de lenços na cabeça, descalças ou de salto – buscamos equilíbrio e não estamos mais dispostas a deixarem que digam que “isso não é coisa de menina”, que aquietem nosso espírito de ação e de fé.

Conscientes, portanto, que a equidade de gênero só virá com a união das vozes espalhadas pelo mundo de mulheres que compartilham a esperança e o movimento de justiça - caminhamos.

Parabéns a todas mulheres/irmãs que caminham e inspiram a marcha, em cantos e em gritos de alerta até que todas sejamos marcadas pela liberdade de SER. 

(creditos de imagens: Vik Muniz - Espelhos de Papel)

Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 08/03/2018 às 00h25 | marisazf@hotmail.com



Marisa Zanoni Fernandes

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Ex-vereadora em Balneário Camboriú, é doutora em educação e professora universitária.


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