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Na Inglaterra, Ciro Gomes critica politização da Justiça brasileira

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Marcelo Chello/CJPress/Folhapress

Terça, 27/3/2018 15:41.

DANIEL BUARQUE
FALMER, INGLATERRA (FOLHAPRESS) - O pré-candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT) criticou nesta terça-feira (27) o que vê como uma entrada da Justiça brasileira na política. Para ele, é isso que acontece em momentos como a entrevista do juiz federal Sergio Moro ao programa Roda Viva, da TV Cultura, e na transmissão de julgamentos do Supremo Tribunal Federal, como a discussão sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Me incomoda, por definição, juiz dar entrevista. Sou da velha guarda. Um juiz, ao explicitar valores, ele entra na política. Este é o universo da política. O juiz deveria se circunscrever a colocar sua sabedoria jurídica e imparcialidade a serviço dos autos", disse, em entrevista após uma palestra na Universidade de Sussex, no sul da Inglaterra.

Ciro disse que não chegou a assistir à entrevista de Moro, mas afirmou achar essa politização da Justiça "exótica". "Uma TV Justiça transmitindo ao vivo um julgamento, isso é muito terceiro-mundista, muito provinciano para o meu gosto", disse.

Para ele, um juiz tem que ter transparência não em entrevistas, mas nos autos. "Essa é a transparência que se espera. Se não, é o universo da política. E a política, por definição, é o contraditório. A verdade, na política, é uma confrontação dialética de posições antagônicas", disse.

Para o pré-candidato, a viagem para dar palestras em universidades na Europa e nos Estados Unidos, para onde vai em abril, é importante não só por questão de prestígio. "Meu objetivo era tentar formar uma corrente de opinião", disse.

Segundo ele, é importante gerar um debate amplo sobre o país, pois "a população não presta atenção em política", disse. "A população tem uma vida muito dura, difícil, e a política, para ela, é um ruído que quase sempre vem associado com coisa muito ruim, muito decepcionante, muito frustrante. Isso tem a ver com este momento do país", disse.

Apesar da avaliação, o pré-candidato disse que ninguém é capaz de superar a vontade popular na escolha de seus governantes, e que o Brasil é um país de tendência autoritária. "Nós, brasileiros letrados, temos uma certa impaciência com a democracia. Ô Negócio chato, desagradável e sem alternativa. Democracia não é um regime de concessão em que iluminados, uma classe política, esse legado aristocrático, governam. Isso é antidemocrático. Democracia é regime de conquista, que presume um cidadão treinado para isso. Não somos treinados. Nosso povo não foi treinado. Nossa história história é uma história autoritária. Somos um país autoritário, elitista, escravista", disse, durante a palestra.

BOATOS E ELEIÇÕES

Mesmo considerando o legado de autoritarismo e de ver essa falta de atenção da população em relação à política, Ciro minimizou o impacto da manipulação de informações em redes sociais e disse acreditar na inteligência do povo. "Boato existe desde que existe eleição. Você tem que apostar na inteligência do povo. Hoje eu tenho um lugar para responder".

Para o pré-candidato, o escândalo da Cambridge Analytica, acusada de manipular eleitores nos Estados Unidos na eleição de Donald Trump e no plebiscito do "brexit", saída britânica da União Europeia, parece exagero. "Isso é mentira. Você pode até ter agregado em cima de uma tendência poderosa alguma coisa", disse.

Para ele, o uso de redes sociais é um "sinal dos tempos", e a comunicação online na verdade pode ajudar candidatos a se colocarem de forma independente, apesar de acelerar a divulgação de informações. "Diferente de 1998 e 2002, agora eu posso me expressar diretamente, para quem quiser apurar as coisas. Tenho minha página. Não existia nada disso antes. Pesando em medida, é uma vantagem", disse.

Durante sua palestra na universidade britânica, o pré-candidato do PDT apresentou um diagnóstico problemático da situação política e econômica do Brasil, e criticou a falta de um projeto nacional para o país. Segundo ele, o país precisa deixar de lado a dicotomia entre "coxinhas e mortadelas", alusão à disputa entre o PSDB e o PT, que, apesar da polarização, representam uma mesma matriz econômica, segundo ele.

Questionado sobre sua posição política em relação ao mercado, que segundo analistas aposta em um candidato do centro político nas eleições de outubro, e a pressões sobre o modelo econômico do Brasil, Ciro disse não ter problema em conversar com ninguém, mas saber que é preciso agir para evitar novas crises no país.

"O mercado está trabalhando com sua ferramenta de propaganda, entre eles os jornalões brasileiros. Eu quero governar a favor de quem produz e trabalha. O resto é propaganda. Você quer que eu diga que sou valente e vou enfrentar o mercado? O mercado é uma entidade fantasmagórica. Pronto, está aí sua frase. Eu não convivo com fantasmas. Não acredito em fantasmas. Quem se apresentar, eu vou discutir qualquer assunto. Não tenho problema nenhum. Ou entra um cara com marra para fazer o que tem que ser feito, lucidez para fazer o que tem que ser feito, ou a próxima crise é bancária", disse, fazendo alusão a gastos com operações compromissadas do Banco Central. 


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