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Nos pênaltis, Inglaterra bate Colômbia e volta às quartas após 12 anos

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Marcelo Machado de Melo /Fotoarena/Folhapress
Johan Mojica da Colômbia dribla Kieran Trippier da Inglaterra durante partida entre Colômbia x Inglaterra válida pelas oitavas de finais da Copa do Mundo 2018, realizada na Otkrytie Arena (Spartak Arena) em Moscou, Rússia.

Terça, 3/7/2018 18:16.

IGOR GIELOW E FÁBIO ALEIXO / MOSCOU, RÚSSIA (FOLHAPRESS)

Pela primeira vez desde 2006, a Inglaterra está nas quartas de final de uma Copa do Mundo. Ao melhor estilo inglês, com sofrimento, nos pênaltis (vitória por 4 a 3), após uma prorrogação arrancada aos 48min do segundo tempo pela Colômbia. No tempo normal, houve empate por 1 a 1.

O time do artilheiro da Copa, Harry Kane, derrotou a equipe sul-americana, que estava desfalcada de sua maior estrela, James Rodriguez.

E Kane fez o seu, convertendo um pênalti aos 12 min do segundo tempo. Tem agora seis gols no torneio e se tornou, ao lado de Gary Lineker em 1986, o maior goleador inglês numa edição de Mundial.

O popular técnico inglês, Gareth Southgate, vinha tomando decisões contestadas, como deixar Kane, capitão da equipe, no banco. No jogo final da fase de grupos, poupou ele e outros sete jogadores e perdeu para a Bélgica, caindo na chave com menos campeões mundiais da Copa.

A disputa evocou outros dramas ingleses -o país que inventou o futebol só foi campeão mundial uma vez, em 1966, e tem em sua história uma série de eliminações nos pênaltis.

As penalidades em Copas são uma sina desde 1990, quando caiu para a Alemanha, futura campeã mundial. Na Eurocopa de 1996, nova queda da marca da cal, de novo para os germânicos. No Mundial de 1998, na França, foi eliminada pela Argentina.

Na Euro de 2004 e na Copa de 2006, caiu para a equipe de Portugal. A Eurocopa de 2012 rendeu mais um capítulo do drama dos pênaltis, quando foi eliminada pela Itália.

Para Southgate, um fantasma extra: ele foi o homem que perdeu o chute decisivo em 1996. Nesta terça, praticou o exorcismo ao som de "Three Lions", música daquela mesma Euro-96 que a Fifa toca em homenagem ao time inglês nesta Copa.

Agora, os ingleses pegarão a Suécia e, se vencerem, podem acabar enfrentando a Rússia na semifinal -se a seleção anfitriã vencer a Croácia.

Será um verdadeiro clássico geopolítico, se ocorrer. Londres liderou uma campanha internacional contra Moscou depois que um ex-espião russo foi envenenado com a filha na Inglaterra.

Houve expulsões mútuas de diplomatas e as relações entre o Kremlin e Londres estão no pior momento desde a Guerra Fria. Southgate creditou o baixo comparecimento de ingleses a estádios russos justamente a temores de como seriam recebidos.

A Colômbia, por sua vez, caiu novamente sendo comandada pelo argentino José Pékerman. No Brasil, em 2014, ele perdeu as quartas contra os anfitriões. Antes, em 2006, comandava a Argentina que caiu nessa mesma fase para a anfitriã Alemanha.

Apesar do apoio maciço da torcida, majoritariamente pró-Colômbia entre os 44.190 pagantes que lotaram o Estádio Spartak, a equipe estava sem James, que se lesionou no jogo contra Senegal na semana passada.

O meia assistiu a derrota na beira do gramado, com o também barrado Borja. No campo, seus companheiros tiveram bastante dificuldades e apelaram à violência, levando 6 dos 8 cartões amarelos do jogo -inclusive o de Sanchez, no lance que levou ao primeiro gol inglês.

A partida começou com um visível domínio inglês, embora as chances de gol fossem bastante escassas. A Colômbia se defendia bem, mas não conseguia subir, concentrando as jogadas pelo lado esquerdo, com Quintero.

Aos 15 min, talvez a melhor chance inglesa aconteceu quando Kane cabeceou um cruzamento de Trippier por cima do gol. A partir dos 25 min, a Colômbia melhorou seu volume de jogo, ainda que sem efetividade nas finalizações.

O segundo tempo começou mais equilibrado, mas o pênalti convertido por Kane acabou desequilibrando a Colômbia, que fez 20 faltas -contra 11 dos ingleses, no tempo regulamentar.

Kane é o artilheiro da Copa, com seis gols, e se tornou, ao lado de Gary Lineker em 1986, o maior goleador inglês numa edição de Mundial.

A partida ficou truncada, e tudo indicava que os ingleses sairiam vencedores. A arquibancada colombiana ensaiou até xingamentos em uníssono à mãe do juiz.

Até que aos 48 min, Uribe acertou um belíssimo chute à distância, obrigando Pickford a fazer uma defesa igualmente cinematográfica.

No escanteio que se seguiu, o ex-palmeirense Mina subiu mais que os zagueiros ingleses e marcou o gol. O Spartak tremeu, e a Colômbia ainda aproveitou os dois minutos restantes de acréscimos para pressionar a Inglaterra.

Na prorrogação, os times ameaçaram de lado a lado, com mais empolgação do que técnica. Apoiada pela torcida, a Colômbia dominou os contra-ataques e parecia mais inteira fisicamente que a Inglaterra.

A melhor chance, contudo, ocorreu aos 9 min do segundo tempo da prorrogação quando Dier cabeceou um escanteio para fora.

Logo depois, veio a roleta-russa dos pênaltis. Henderson perdeu o terceiro pênalti, levando a arquibancada ao delírio, só para ser calada pelo erro seguinte de Uribe. A defesa de Pickford na cobrança de Bacca deixou tudo nos pés de Dier, que chutou forte e converteu.

Ao som de "Three Lions", colocada a todo volume nos alto-falantes ao fim do drama, os ingleses desta vez puderam comemorar.

COLÔMBIA
Ospina; Arias (Zapata), Mina, Davinson Sanchez, Mojica; Barrios, Carlos Sanchez (Uribe), Lerma (Bacca), Cuadrado, Quintero (Muriel); Falcao. T.: José Pékerman

INGLATERRA
Pickford; Walker (Rashford), Stones, Maguire; Trippier, Henderson, Dele Alli (Dier), Lingard, Young (Danny Rose); Sterling (Vardy), Harry Kane. T.: Gareth Southgate

Local: Estádio Spartak, em Moscou
Juiz: Mark Geiger (EUA)
Cartões amarelos: Barrios, Arias, Sanchez, Falcao, Bacca (Colômbia); Henderson, Lingard (Inglaterra)
Gols: Harry Kane (I), aos 11min do segundo tempo; Mina (C), aos 47min do segundo tempo


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