Jornal Página 3

Publicidade

Publicidade

Publicidade

PF investiga fraude em fundos de previdências municipais

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Sexta, 13/4/2018 6:27.

ANAÏS FERNANDES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (12) a Operação Encilhamento, segunda fase da Papel Fantasma, que apura fraudes na aplicação de recursos de institutos de previdências municipais.

Segundo a PF, os recolhimentos de servidores de 28 cidades ao RPPS (Regime Próprio de Previdência Social) eram aplicados em fundos que continham debêntures (títulos de dívida) sem lastro emitidas por empresas de fachada, em valor que pode ultrapassar R$ 1,3 bilhão.

Foram cumpridos 60 mandados de busca e apreensão e 20 de prisão temporária em sete estados (SP, RJ, MG, PR, MT, GO e SC). Entre os presos estão o ex-prefeito de Uberlândia Gilmar Machado (2013-2016), do PT, Meire Poza, ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, e o empresário Arthur Pinheiro Machado, citado também em investigação da PF sobre fraudes no fundo de pensão dos Correios.

A defesa de Gilmar Machado e a de Arthur Machado negam envolvimento dos clientes com atos ilícitos. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Poza.

A fraude funcionava assim: empresários e donos de corretoras estariam ligados à abertura de empresas de fachada. Elas emitiam debêntures sem lastro -autorizadas pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), segundo a PF- que eram incorporadas a fundos também supostamente envolvidos no esquema. Consultores de investimentos se aproximavam então dos institutos e recomendavam a aplicação nos fundos.

SEM FUNDOS

No segundo semestre de 2016, foi constatada, de acordo com a PF, a existência de R$ 827 milhões em apenas oito desses fundos. "Quando o prazo de resgate das debêntures vencesse, elas não seriam pagas, porque as empresas não teriam condições de honrar com o compromisso", afirmou o delegado da PF Victor Hugo Rodrigues Alves.

Segundo ele, uma das empresas emitiu R$ 750 milhões em debêntures, mas tinha um capital social de R$ 500.

"Em última análise, o que vai acontecer é que o instituto e o servidor vão arcar com o prejuízo, e, a depender da fraude, ele simplesmente não vai se aposentar", afirmou.

Foram apontadas 13 empresas de fachada. Uma delas teria como endereço declarado o mesmo do sócio de uma corretora. "Identificamos vários municípios em que atuou a mesma consultoria, com investimentos que eram quase espelhos", disse o delegado Ricardo Ruiz Silva, coordenador da investigação.

Sem citar nomes, Alves confirmou que existe uma pessoa que é "o cabeça" da ação. "Um dos investigados que teve prisão decretada já foi investigado em outras operações da PF. Ele é um dos que paira acima de todos na estrutura da organização criminosa."

Segundo a polícia, na maior parte dos casos houve envolvimento ou de autoridades municipais, como prefeitos e secretários, ou de gestores dos institutos.

Os investigados podem responder por crimes contra o sistema financeiro, fraude à licitação, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro, com penas de dois a 12 anos de prisão. Em nota, a CVM disse que não competia ao órgão avaliar a operação. 

Publicidade

Publicidade

Publicidade



Publicidade


Publicidade


Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade