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Direita pede 'Fora, Temer' e dá o tom da paralisação

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Divulgação.
Balneário Camboriú também teve ontem manifestação a favor de golpe militar

Terça, 29/5/2018 6:03.

(ANA LUIZA ALBUQUERQUE -  FOLHAPRESS) - "A imprensa fez um acordo na última sexta para acabar com a paralisação dos caminhoneiros. Mas nós, do jornalismo independente, estamos convocando o Brasil para ir às ruas e gritar Fora, Temer."

Este discurso já foi ouvido, com pequenas alterações, da boca de petistas e de membros da mídia alternativa de esquerda. No Brasil pré-eleitoral de maio de 2018, é a direita quem se apropria das palavras de ordem.

O grito saiu do alto de um carro de som do movimento Acampamento Lava Jato, neste domingo (27), no centro de Curitiba (PR). "Quem diria, hein... Até os coxinhas. Fora, Temer!", prosseguiu um dos líderes. Ao seu lado, um caminhoneiro identificado como "Dedeco" também marcou presença no ato para pedir "a saída dos corruptos".

Naquele dia, parte do grupo concentrou-se em frente à Universidade Federal do Paraná, na praça Santos Andrade, reduto de protestos progressistas e de esquerda. Caminharam até a praça Osório, a cerca de 1,5 km, sob buzinaço e gritos de intervenção militar.

Enquanto isso, a esquerda, com dificuldade de capitalizar sobre o protesto dos caminhoneiros, divide opiniões nas redes sociais. Alguns atribuem o movimento unicamente aos "patrões", negando se tratar de uma iniciativa de trabalhadores; outros defendem a necessidade de disputar com a direita a narrativa das manifestações.

O filósofo Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação de Dilma Rousseff (PT), diz acreditar que a segunda alternativa não poderia ter funcionado. "A rigor, não tinha como. São movimentos inesperados, que já surgiram com a pauta fácil da intervenção militar", afirma à reportagem.

Segundo ele, os brasileiros têm pouca noção dos conceitos de esquerda, direita e globalização, o que reduz o pensamento apenas à ótica do combate à corrupção.

"A sociedade não consegue acompanhar uma discussão nesse sentido. A solução fácil, que é denunciar o banditismo, é a que se adota. Hoje, o banditismo é do Temer. Há três anos, era da Dilma e do PT."

Janine avalia que os atos de 2013 partiram de uma esquerda difusa e que, posteriormente, foram apropriados pela direita, substituindo a pauta dos serviços públicos pela anticorrupção. Jair Bolsonaro (PSL), candidato presidencial da direita, "apesar de estar atacando a direita, de certa forma deixa uma ponte com ela em nome do combate à esquerda", diz o filósofo.

Janine refere-se a um vídeo em que o deputado diz que é "mau-caratismo" acompanhar o preço do petróleo de acordo com o mercado internacional.

No vídeo, Bolsonaro critica o governo, mas não cita Temer ou Pedro Parente, presidente da Petrobras. Ele identifica apenas atores da esquerda como culpados pelo bloqueio das rodovias: "Onde, por ventura, esteja havendo algum bloqueio, tem alguém infiltrado do PT, do MST, da CUT".

O entorno de Bolsonaro também foi rápido. O deputado federal delegado Fernando Francischini (PSL) tem compartilhado vídeos e imagens a favor dos caminhoneiros. "Gasolina cara? Agradeça o PT, que saqueou a Petrobras! Não votem em candidatos de esquerda!", diz uma delas.
Em recado passado por sua assessoria, o parlamentar diz que o Brasil vive uma crise anunciada, "fruto de uma política desastrada e criminosa do PT, que destruiu a Petrobras".

Em vídeo, o senador Magno Malta (PR) foi outro a marcar posição, afirmando que o governo petista reteve os preços do combustível "para fazer politicagem".

Entre os movimentos de rua que cresceram na esteira do impeachment de Dilma, apenas o Nas Ruas abraçou a pauta dos caminhoneiros. 

EM BALNEÁRIO

Ontem à noite um grupo saiu às ruas pregando "intervenção militar e fora Temer". 

Não existe forma constitucional de intervir com afastamento de presidente, quando isso ocorre trata-se de golpe militar.


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